Sol nos Olhos, Pés na Terra

O Blog da Dona Horta

Para colher...

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... É preciso plantar!

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Quem gosta é assim. Tem de plantar para colher. Tem de escolher as melhores sementes, cujas plantas, mais tarde, serão as mais adequadas às condições climatéricas de cada altura. Tem de preparar os terrenos com todos os custos que isso acarreta antes de sequer pensar em plantar. Tem de ser organizado, metódico. E lá vai o senhor Daniel, com isso tudo e com muito mais, no peito, para mais uma plantação "daquelas". Dá gosto gostar de comer couves só de olhar!

Cabazes Dona Horta é que está a DAR.

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Quando um burro fava...

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... ai espera que não é nada disso!

As favas são dos "feijões" mais tradicionais deste nosso paraíso. Há receitas inexplicáveis de norte a sul do país e até nas ilhas. Elas adoram bacalhau assado, chouriço, entrecosto. Elas são idolatradas por meia dúzia e abominadas por outra meia. É assim, quais vedetas.

Vedeta que se preze tem de ter filme pelo meio. Ou série, também serve. Pois bem. As nossas favas foram semeadas a tempo e horas mas as condições atmosféricas foram sempre dando para um grande baile (como aquele em que o coche se transforma em abóbora). Depois disso, já havia favas à venda por tudo quanto era sítio e as nossas... Bom, estavam de greve. Sossegadinhas ali numa encosta solarenga e abrigadinha. Olhávamos para cada uma das plantinhas e elas guinchavam-nos: "daqui não saio! daqui ninguém me tira!".

Eis que vem um aperto de calor, umas chuvas de alerta amarelo e pronto, lá vêm elas como se houvesse toda uma maratona! Na próxima semana há favas no cabaz. São boas (já provámos!) mas são um bocadinho para o feias. Olhando para a fotografia ninguém diria!

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Cabazes há muitos!

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Há dias em que achamos que somos priveligiados. Mas depois pensamos no quanto trabalhamos e lutamos diariamente para tudo correr bem e percebemos que muito do que colhemos vem daquilo que temos vindo a semear nestes últimos anos de Dona Horta.

Aqui há uns tempos fomos contactados pela Revista Comer (Edições do Gosto) para fazermos parte de um artigo sobre cabazes. Sabíamos que ia ser um desafio ver-nos ao lado de tantos outros, tão iguais mas ao mesmo tempo tão diferentes. Ficámos muito contentes com o resultado.

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Não é fácil fazer cabazes, não é fácil ter produto de qualidade, de sabor genuíno e fresco. É uma luta diária, não escolhe fins-de-semana, não escolhe feriados nem dias santos. Custa muito ter o telemóvel a tocar a todas as horas, nunca ter a caixa de email organizada. Custa muito apanhar grandes molhas enquanto se colhem brócolos ou levar com uma geadinha nos bigodes, de Inverno, enquanto se cortam os espinafritos. Ou levar com aquele bafo insusportável que faz estalar as couves todas e que só acaba de uma maneira: passar-lhes com a freze por cima. Custa. Mas não ter nada para fazer ia custar-nos muito mais.

O que temos para oferecer é simples: um cabaz de produtos frescos, saborosos, cultivados com amor, carinho e em respeito pelas boas práticas agrícolas. A um preço justo para os produtores. Há os extras, porque nem todas as famílias são iguais e porque há quem goste mais de pêras do que de morangos. Há o pão, a broa, as bolinhas, amassadas como antigamente e cozidas em forno a lenha. Há azeite e arroz. E sim. O pão vem do padeiro, o azeite do azeiteiro e o arroz vem dos orizicultores mais incríveis do Ribatejo.

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Tem sido uma estafa esta luta mas sim, repetimos: tem sido um privilégio. E trabalhar com aqueles que para nós são os melhores do mundo - os nossos produtores - que sabem tudo o que se passa com as suas plantas, como e quando têm o quê, quando é melhor, quando há mais, quando é da época e quando não é - só pode ser uma vantagem. Até porque dar a provar ameixas quando é tempo de romãs só pode ser coisa de outro hemisfério!

... fazemos uma espécie de caldeirada.

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Por mais contas que façamos sobra-nos sempre qualquer coisinha. Esta semana não foi excepção e demos por nós com excesso de tomates. Maduros, ainda por cima.

As sobras são divididas ao fim da semana por todos os elementos da equipa. Quanto aos tomates... Uns lavam, escaldam, pelam e congelam (para aproveitar para os cozinhados de última hora), outros fazem compotas (as melhores são com tomates de sequeiro, aqueles que hão-de vir lá para meados de Junho!) e há ainda quem não resista a uma caldeirada - ou alguma coisa que se pareça com isso:

1 kg de lulas (podem ser congeladas)

3 tomates médios maduros (não importa a variedade desde que sejam bons tomates)

2 cebolas médias

1 kg de batatas para cozer

1 fio de azeite

1 pingo de picante

1 copo de vinho branco

1 ramo de salsa

1 folha de louro

sal e pimenta

Descascam-se as cebolas e cortam-se às rodelas. Lavam-se os tomates e cortam-se grosseiramente. Refoga-se a cebola, juntando a folha de louro, em azeite. Quando a cebola estiver a querer mudar de cor juntam-se os tomates. Deixa-se que tomem gosto, tira-se-lhes a sede com vinho branco e juntam-se as lulas. Baixa-se o lume e lá estão elas durante 15 minutos, até que se juntam as batatas para cozer no caldo. Tempera-se com sal, pimenta e picante e daí a quinze minutos está tudo pronto. A salsa junta-se no fim, lavadinha e picadinha.

O que é que a cebola tem.

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Quase que podemos dizer que este ano temos a plantação de cebolas mais espectacular de todos os tempos: foi plantar e deixá-las crescer. Com vista para o Atlântico. À beira de um pinhal. Com uma rega aqui e acolá.

Estávamos há umas semanas à espera disto. E andávamos desertos de começar esta colheita em particular. A expectativa era alta. E no campo é assim: planta-se num mês para ver resultados meses depois. Há que ter paciência.

Quando o Daniel nos chegou com aquele bigodinho a parecer as ondas da Nazaré quando está alerta amarelo - estava a rir-se, ora pois - e faz uma barulheira a pousar a caixa dizendo "Eh pessoal! Já temos cebolas!" sabemos que são cebolas espectaculares. Isto porque o grau de exigência do Daniel é elevado. Quem o conhece sabe que sim. Que é.

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Para termos estas cebolas demos o litro. Foram primeiro semeadas e só depois passaram do viveiro para o chão. Mas a sementeira também pode ser directa, depende do chão onde se quer que elas se criem, depende do tempo, depende da variedade. Da sementeira à plantação podem passar dois ou três meses. Quem gostar de ver trabalho a aparecer feito não deve, portanto, semear cebolas. Nem plantar. É que depois disto podem passar mais quatro mesinhos até andarmos em rancho, de rabo para o ar, a colhê-las.

A melhor maneira de acondicionar as cebolas em casa é num sítio seco e arejado, preferencialmente num cestinho de madeira ou verga, uma caixa de papelão. Isto por se tratarem de materiais que “respiram” e “deixam respirar”. Quando se recebe o melhor cabaz do mundo - um cabaz da Dona Horta - deve sempre retirá-las do saquinho e guardá-las bem longe das batatas – elas odeiam-se! (Estamos a falar a sério).

As cebolas novas não são as nossas preferidas para guardar – até evitamos fazê-lo pois perdem qualidade. Estas cebolas são as melhores – mesmo! - para as saladas e para as tartes, sempre cruas. E a rama fresca até pode ser aproveitada para sopa, para arroz, para guisados e quiches, sem desperdiçar nadinha. Só podiam ser da Dona Horta, não é verdade?

Primavera, aqui estás tu.

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Damos as boas vindas à Primavera com um solinho bom, por estas encostas fora e por aí adiante até à serra. Começam a aparecer as primeiras flores, os primeiros passarinhos. E que bom que é ouvi-los. Isso e ver os cordeirinhos aos pulos, uns atrás dos outros, em engraçadas brincadeiras para cima e para baixo...

Uma força da natureza.

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A Celeste começou cedo e começou bem. Começou a trabalhar precocemente – naquela altura era assim – a pintar loiça numa fábrica do Concelho de Alcobaça.

Casou, teve filhos, e no meio dessa odisseia que é criá-los, decidiu abraçar a agricultura como modo de vida para ajudar o Sr. seu esposo (que dá pelo nome de Daniel e é um dos nossos queridos produtores). Ele comandava as lides no campo. Ela comandava as lides nos mercados.

Passou pelo Mercado de Alcobaça, mais tarde pelo Mercado de Vila Franca de Xira e, posteriormente, pelo Mercado da Castanheira do Ribatejo.

Acreditou na Dona Horta desde o início (mesmo quando tudo ainda não passava do papel) e fez com que ela de lá saísse.

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A Celeste acompanha de forma saudável e pro-ativa o desenvolvimento da Dona Horta e não há cliente ou produtor que não saiba quem ela é. Ela quer estar lá, ver como está a ser feito, quer saber tudo. Não se deixa abater com pouco e tem sempre um provérbio cómico para dizer quando alguma coisa corre menos bem. E menos mal! Esta força da Natureza surpreende-nos com o seu empenho em querer que tudo dê certo. E, mais tarde ou mais cedo, com muita fé, trabalho e perseverança, acaba sempre por dar.

Adora tricotar (principalmente roupinhas para a sua netinha) e sempre teve animais de estimação por perto – mais recentemente um gato mafarrico que lhe corta as linhas quando ela não lhe dá colo. Gosta muito de decoração de interiores e é fã do Pinterest. Faz uma alimentação super saudável há, pelo menos, dezoito anos. No dia em que ela não souber se um legume é bom ou não apostamos que mais ninguém sabe. Não dispensa kiwis à sobremesa e os brócolos são a sua mais verde perdição.

Uma receita de um agricultor.

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O António é um dos nossos produtores mais queridos. Seja por ser de um espírito de entre-ajuda incrível seja para provar as frutinhas dos outros produtores e dar o seu aval, o António é um bom garfo.

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Garfo que se preze também cozinha e o António cozinha bem. Fã de grelos de nabo, partilhou uma receita deles guisadinhos que pode muito bem ser feita com grelos de couve. Ora cá vai.

1 molho de grelos lavados e migados

1 cebola descascada e picada

3 dentes de alho descascados e picados

1 molhinho de salsa picadinha

1 folha de louro lavada

1 copo de vinho branco

1 chávena de arroz

2 chávenas de água quente

azeite e sal qb

Num tacho coloca-se azeite até cobrir o fundo. Quando quente (o azeite), refogam-se a cebola, o alho, a salsa e o louro. Assim que tomarem cor juntam-se os grelos e o vinho branco. Tapa-se e deixa-se cozinhar por cinco minutinhos em lume brando.

Adiciona-se o arroz e a água (quente), mexe-se, tempera-se de sal e deixa-se apurar até que o arroz fique bem cozido.

O António disse-nos que costuma acompanhar este guisadinho com uns joaquinzinhos ou um peixinho de espada frito. Nós concordamos.

E à décima primeira semana...

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... Os grelos de couve são reis. São, muito provavelmente, os últimos. Por ora. Mas não os últimos deste ano que lá para Novembro há mais. "Novembro? Mas ainda falta tanto..." Falta pois. Mas já vamos em Março, na décima primeira semana de cinquenta e duas. Passa a correr!

Em mais ou menos correrias o cabaz desta semana é apropriado para maratonistas: batata, cebola, cenoura, grelo de couve, nabo sem rama, maçã, kiwi e alface no médio. O grandalhão tem ainda espinafres, laranjas e ervas acrobáticas. Perdão. Aromáticas.