Sol nos Olhos, Pés na Terra

O Blog da Dona Horta

Os especialistas dos grelos.

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Os grelos, sejam de couve ou de nabo, são uma hortaliça que caiu em desuso no prato do comum português nos últimos anos. Fosse por força do seu peso na carteira, fosse por força do sabor (óbvio que grelos chocos – destes e d'outros – não sabem bem a ninguém), surgem agora, muito timidamente, nos pratos dos principais chefs e das nossas cozinheiras favoritas.

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O Inverno é a altura de eleição destes meninos. De Novembro a Março eles andam perto, tanto uns como outros. Um dos nossos especialistas, o Sr. Daniel (na foto a atar um molhinho deles para uma encomenda) explicou-nos que os grelos são semeados em Setembro, “lá mais para o fim. Depois são colhidos até Março e para se criarem não precisam de pesticidas nem nada dessas coisas, pelo menos aqui para os lados do Bárrio.” São então três ou quatro meses do mais puro amor agrícola.

Perguntámos-lhe ainda: “Sr. Daniel e como é que gosta deles?” Respondeu-nos com um sorriso: “prefiro os grelos de nabo aos grelos de couve e, rapariga, não me perguntes porquê porque gostos não se discutem. Do melhorzinho que me podem por ao lado deles é batata cozida e bacalhau. Com azeite e alho!”.

Entretanto, enquanto conversávamos, apareceu o Sr. António Lopes, também produtor Dona Horta. “Grelos? Grelos? De nabo! E guisados!”. Bom, grelos de nabo guisados? “Como é que você faz isso, Sr. António?” Ele disse-nos e ficámos com água na boca.

Elogio da Couve Portuguesa

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[...] O emigrante de quem falo tem hoje setenta e dois anos, emigrou aos cinquenta e quatro, e andou com as sementes no bolso durante dezassete anos - à espera de um quintal para as semear. Se isto não é dramático, não sei onde será hoje possível encontrar o drama. Durante dezassete anos, as sementes esperaram pacientemente a sua hora, o quintal prometido, a terra fertilíssima. Entretanto, o nosso compatriota, cada vez mais cansado, cada vez mais velho, mas sempre esperançoso, percorria a Austrália de ponta a ponta, cruzava os desertos, rondava os portos de mar, penetrava nas grandes cidades, inquiria do preço dos terrenos, numa busca ansiosa. Aos marinheiros do Gama deu Camões a Ilha dos Amores e o Canto Nono; este viajante português do século XX declara-se feliz, realizado, pleno, quando, de metro em punho, com os pés na regueira fresca, bate o recorde da altura em couve e comunica o feito às agências de informação. Convenhamos, amigos, que só um coração empedernido se não deixaria mover a uma lágrima de enternecimento. [...]

José Saramago, «Elogio da Couve Portuguesa» in A Bagagem do Viajante

Os cabazes da Dona Horta chegaram às Caldas da Rainha e o jornal Gazeta das Caldas fez um artigo sobre nós. Para ler aqui.

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À conversa com a LizFm

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Estivémos à conversa com a LizFm, a apresentar o nosso projecto.