Sol nos Olhos, Pés na Terra

O Blog da Dona Horta

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À Quinta do Pinheiro Manso, em Leiria, chegou por um destes dias um cabaz da Dona Horta. E vê-se, claramente, a alegria de todos!

São momentos como este, que a Jona nos enviou, que fazem com que tudo "isto" valha a pena: as noites mal dormidas sem saber se uma seara resiste a uma praga, a preocupação com a origem e germinação das sementes, o tempo para fazer as regas, o aproveitar oportunidades que às vezes nos surgem de fazer tudo andar para a frente... Enfim, mil coisas que valem muito, mas muito pouco, se não valorizarmos o que já temos.

É assim, simples, tão pequeno e tão grande: o maior reconhecimento que podemos ter é este e nós, na Dona Horta, chamamos-lhe carinho.

Hoje é dia de pousio.

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Pousio pressupõe descanso. Descanso das terras para que estas fiquem mais férteis.

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A "questão é": nós por cá não conseguimos passar um dia sem vir ver como é que as coisas estão.

"Quando Maio chegar, quem não arou tem de arar"

E lá andámos nós todos atarefados, nesta semana que passou. Mais do que o costume para aproveitar o bom tempo: arámos, plantámos, regámos, semeámos, colhemos, entregámos, foi um lufa-lufa-lufa-lufa. Ufa.

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Mas tivemos tempo para catrapiscar os olhinhos às nossas couves-lombarda que vão dar um incrível bacalhau à moda do nosso berço - a nossa aldeia, o Bárrio. E quando virem as beterrabas... Essas sim são dignas de aparições.

Para além das beterrabas e da couve-lombarda, há ainda: cebola, cenoura, alface frisada, feijão verde, curgete, maçã golden, tangerinas, morangos e ervas aromáticas.

Escusado será dizer que a preparação dos cabazes é e será sempre no próprio dia da entrega. Só assim conseguimos manter a frescura das nossas muy apreciadas hortaliças. E frutinhas, ora pois!

Nota: a composição indicada é para o cabaz grande; o médio tem menos três variedades.

... fazemos uma espécie de caldeirada.

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Por mais contas que façamos sobra-nos sempre qualquer coisinha. Esta semana não foi excepção e demos por nós com excesso de tomates. Maduros, ainda por cima.

As sobras são divididas ao fim da semana por todos os elementos da equipa. Quanto aos tomates... Uns lavam, escaldam, pelam e congelam (para aproveitar para os cozinhados de última hora), outros fazem compotas (as melhores são com tomates de sequeiro, aqueles que hão-de vir lá para meados de Junho!) e há ainda quem não resista a uma caldeirada - ou alguma coisa que se pareça com isso:

1 kg de lulas (podem ser congeladas)

3 tomates médios maduros (não importa a variedade desde que sejam bons tomates)

2 cebolas médias

1 kg de batatas para cozer

1 fio de azeite

1 pingo de picante

1 copo de vinho branco

1 ramo de salsa

1 folha de louro

sal e pimenta

Descascam-se as cebolas e cortam-se às rodelas. Lavam-se os tomates e cortam-se grosseiramente. Refoga-se a cebola, juntando a folha de louro, em azeite. Quando a cebola estiver a querer mudar de cor juntam-se os tomates. Deixa-se que tomem gosto, tira-se-lhes a sede com vinho branco e juntam-se as lulas. Baixa-se o lume e lá estão elas durante 15 minutos, até que se juntam as batatas para cozer no caldo. Tempera-se com sal, pimenta e picante e daí a quinze minutos está tudo pronto. A salsa junta-se no fim, lavadinha e picadinha.

O que é que a cebola tem.

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Quase que podemos dizer que este ano temos a plantação de cebolas mais espectacular de todos os tempos: foi plantar e deixá-las crescer. Com vista para o Atlântico. À beira de um pinhal. Com uma rega aqui e acolá.

Estávamos há umas semanas à espera disto. E andávamos desertos de começar esta colheita em particular. A expectativa era alta. E no campo é assim: planta-se num mês para ver resultados meses depois. Há que ter paciência.

Quando o Daniel nos chegou com aquele bigodinho a parecer as ondas da Nazaré quando está alerta amarelo - estava a rir-se, ora pois - e faz uma barulheira a pousar a caixa dizendo "Eh pessoal! Já temos cebolas!" sabemos que são cebolas espectaculares. Isto porque o grau de exigência do Daniel é elevado. Quem o conhece sabe que sim. Que é.

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Para termos estas cebolas demos o litro. Foram primeiro semeadas e só depois passaram do viveiro para o chão. Mas a sementeira também pode ser directa, depende do chão onde se quer que elas se criem, depende do tempo, depende da variedade. Da sementeira à plantação podem passar dois ou três meses. Quem gostar de ver trabalho a aparecer feito não deve, portanto, semear cebolas. Nem plantar. É que depois disto podem passar mais quatro mesinhos até andarmos em rancho, de rabo para o ar, a colhê-las.

A melhor maneira de acondicionar as cebolas em casa é num sítio seco e arejado, preferencialmente num cestinho de madeira ou verga, uma caixa de papelão. Isto por se tratarem de materiais que “respiram” e “deixam respirar”. Quando se recebe o melhor cabaz do mundo - um cabaz da Dona Horta - deve sempre retirá-las do saquinho e guardá-las bem longe das batatas – elas odeiam-se! (Estamos a falar a sério).

As cebolas novas não são as nossas preferidas para guardar – até evitamos fazê-lo pois perdem qualidade. Estas cebolas são as melhores – mesmo! - para as saladas e para as tartes, sempre cruas. E a rama fresca até pode ser aproveitada para sopa, para arroz, para guisados e quiches, sem desperdiçar nadinha. Só podiam ser da Dona Horta, não é verdade?